LSDex
- Ataque!

(…) A caminho da cidade, vadiando ao redor do bar na encruzilhada, havia três cães que sistematicamente investiam contra ele, quando passava pelo local. Conhecendo o métodos mortal de luta, o dono nunca deixara de incutir em Caninos Brancos a lei de que não devia brigar. Em consequência, tendo aprendido bem a lição, Caninos Brancos tinha grandes dificuldades sempre que passava pela encruzilhada do bar. Depois da primeira investida, o seu rosnado mantinha os cães à distância, mas eles seguiam atrás, latindo, brigando, e insultando-o. Isso durou algum tempo. Os homens do bar até incitavam os cães a atacar Caninos Brancos. Certo dia abertamente açularam os cachorros atrás dele. O dono parou o coche. 

- Ataque! - disse para Caninos Brancos.
Mas Caninos Brancos não conseguia acreditar. Olhou para o dono e olhou para os cachorros. Depois voltou a olhar ansiosa e indagador para o dono.
O dono fez que sim com a cabeça.
- Ataque, meu velho! Estraçalhe.

Caninos Brancos não hesitou mais.Virou-se e saltou silenciosamente entre os inimigos. Os três enfrentaram-no.Houve muito rosnado e grunhido, um entrechocar de dentes e uma agitação de corpos. A poeira da estrada ergueu-se numa nuvem encobrindo a batalha. Mas, ao fim de alguns minutos, dois cães estrebuchavam no chão e o terceiro fugia a toda a velocidade. Saltou uma vala, atravessou um uma cerca e fugiu por um campo. Caninos Brancos seguiu-o, deslizando sobre o terreno à maneira dos lobos, com a velocidade dos lobos e sem fazer barulho, no meio do campo, derrubou e matou o cachorro.

Com essa matança tripla acabaram os seus principais problemas com os cachorros. A notícia espalhou-se pelo vale, e os homens a partir de então cuidavam para que os seus cães não molestassem o Lobo Lutador.

Jack London

COMPAIXÃO É FRAQUESA
Seus olhos estavam sempre negros

Seus olhos estavam sempre negros

Júpiter Maçã - Doenças da Alma

Homens, flores, rancores, amores.
Você foi a bela adormecida, é a donzela decaída.
Sonhos, tolos, confundiram sua mente.
Até que ponto isso tudo
Pode te deixar doente
Você ainda é tão jovem
Eu te levo pra casa
Mas você repugna lares
E eu não tenho carro

Estamos sofrendo, dessas doenças de alma.
Estamos amando em meio a uma grande guerra
Dançamos a valsa no meio da rua
Seguimos uivando pra rainha, a lua.

London, Tóquio, New York ou Madrid.
Lugares lindos do mundo que você quis, mas não te deram.
Loucos, louras, louças quebradas.
Bêbados de bar, esse é o cenário inconformista.
Do nosso amor pessimista
Juras, fugas inconseqüentes madrugas. 
O nosso estilo desregrado me deixa um pouco assustado

Estamos sofrendo, dessas doenças de alma.
Estamos amando em meio a uma grande guerra
Dançamos a valsa no meio da rua
Seguimos uivando pra rainha, a lua.

O sete é um numero místico, é um numero cíclico.
Dizem que de sete em sete pazes
Todas as coisas se transformam
Eu aguardo a mudança
Eu quero paz mental, estabilidade.
Por outro lado este amor me sugere liberdade

SOMA
pizza universal

pizza universal

Caninos Brancos

Ele era diferente dos irmãos e irmãs. O pêlo destes já denunciava a tonalidade arruivada que havia herdado da sua mãe, a loba. Neste pormenor só ele se assemelhava ao pai. Não havia outra cria cinzenta na ninhada. Estava ali um lobo de pura raça. Na realidade, fisicamente apresentava todas as características do Zarolho, com uma única exceção: tinha dois olhos e seu pai apenas um.


Os olhos do lobinho cinzento ainda não estavam abertos há muito e já viam com toda a clareza e enquanto fechados, ele tateara, tomara o gosto e farejara. Conhecia muito bem os dois irmãos e as duas irmãs. Tinha começado a brincar com eles, débil e desajeitadamente, e já então, quando se zangava, na sua pequena garganta vibrava um som áspero e esquisito, precursor de rosnado. E muito antes que os seus olhos se abrissem, aprendera a conhecer, pelo tato, pelo paladar e pelo olfato, sua mãe fonte de calor, alimento líquido e ternura. Ela possuía uma língua suave e acariciante, que o consolava quando corria sobre o seu pequenino e macio corpo, e o impelia a aconchegar-se a ela e o ajudava a adormecer.


A maior parte do primeiro mês da sua vida passara-o assim, dormindo. Mas agora, que já via e permanecia acordado muito mais tempo, começava a conhecer o seu mundo bastante bem. Este seu mundo era triste, mas ele o ignorava, porque não conhecia outro melhor. Iluminava-o uma luz difusa, no entanto os olhos do pequenino lobo não haviam sentido necessidade de se adaptar a outra. O seu mundo era muito pequeno, pois achava-se limitado pelas paredes do covil, mas como ele não conhecia o vasto mundo exterior, nunca experimentara a opressão das estreitas fronteiras da sua existência.

Contudo, cedo descobrira que uma das paredes do seu mundo diferia das restantes. Era a entrada da caverna, o manancial de onde provinha a luz. Fizera essa descoberta muito antes de ter pensamentos próprios, ou vontade consciente. Constituíra uma atração irresistível antes que os seus olhos se abrissem e a pudessem ver. A luz que dali provinha batia-lhe nas pálpebras fechadas, e os olhos e os nervos óticos vibravam em pequenos relâmpagos cintilantes, quentes e estranhamente agradáveis. A vida que existia no seu corpo e em todas as fibras que o constituíam, a vida, que era como que a sua própria substância corporal, completamente distinta da sua vida pessoal, ansiava por essa luz e impelira-o para ela, do mesmo modo que a sábia constituição química de uma planta a dirige para o sol.

No princípio, antes do despertar da sua vida consciente, costumava rastejar sempre em direção à entrada da caverna. E nisto era imitado pelos irmãos e irmãs. Nesse período nunca nenhum deles gatinhara para os cantos escuros da parede de trás. A luz atraía-os, como se fossem plantas, a constituição química dos seus corpos exigia a luz como uma necessidade vital e assim os cinco gatinhavam cegamente para ela, por um impulso químico, como se fossem os ramos de uma videira. Mais tarde, quando cada um deles criou a sua própria individualidade e tomaram consciência pessoal dos impulsos e desejos, a atração da luz tornou-se mais forte. Gatinhavam e moviam-se desajeitada e constantemente em direção a ela, mas sempre a sua mãe os fazia retroceder.


Foi desta maneira que o lobinho cinzento ficou conhecendo outros atributos da mãe, além da sua língua macia e acariciante. No seu insistente rastejar para a luz descobriu que o focinho dela era capaz de castigá-lo com violentas pancadas e, mais tarde, que a sua pata se abatia sobre ele e o fazia rolar, com golpes rápidos e bem calculados. Assim travou conhecimento com a dor e logo aprendeu a evitá-la, primeiro não se arriscando, e depois esquivando-se e batendo em retirada quando, por acaso, se houvesse tornado merecedor de castigo. Tratava-se já de ações conscientes, resultantes das suas primeiras idéias gerais acerca do mundo. Começara por evitar
automaticamente aquilo que lhe ocasionava dor, do mesmo modo que se arrastava para a luz, depois já fugia da dor, porque sabia que era dor.

Era um lobinho feroz, tal como seus irmãos e irmãs. E de se esperar. Tratava-se de um animal carnívoro, pertencente a uma raça acostumada a matar outros animais de cuja carne se alimentava. Esta constituía também a exclusiva alimentação do pai e da mãe. O leite que mamara nos primeiros dias de vida vacilante era um produto transformado diretamente da carne e agora, com um mês de idade, quando os seus olhos se tinham aberto havia apenas uma semana, começava ele próprio a comer carne - carne semi-digerida pela loba e vomitada para dentro das bocas das cinco crias, que já pretendiam mamar com demasiada freqüência.


Mas ele era, de longe, o mais feroz da ninhada. Nenhum dos irmãos conseguia emitir um rosnado tão alto e tão áspero. Os seus pequenos acessos de fúria eram sempre mais terríveis do que os dos companheiros. Foi o primeiro a aprender a habilidade de fazer rolar um irmão Com uma pancada ágil da pata, e o primeiro que agarrou um outro lobinho pela orelha e o puxou e arrastou, rosnando, entretanto, por entre as mandíbulas cerradas. Foi ele, enfim, que, sem dúvida, mais trabalho deu à mãe para manter a sua ninhada longe da entrada da caverna.

A fascinação que a luz exercia no lobinho cinzento aumentava de dia para dia. Andava constantemente em explorações no espaço de um metro, tal era a distância que o separava da entrada da caverna, e de todas as vezes o faziam retroceder. Nada sabia acerca de entradas - essas passagens por onde se vai de um lugar para outro. Não conhecia a existência de qualquer outro local, e muito menos o modo de lá chegar. Por isso, para ele, a entrada da caverna era uma parede - uma parede de luz, o sol do seu mundo.. Atraia-o como a luz atrai a borboleta. Esforçava-se constantemente por alcançá-la. A vida, que com tanta rapidez se expandia no seu interior, impelia-o, sem cessar, em direção à parede de luz. A vida que existia dentro de si sabia que era aquela a única saída, o caminho que havia de trilhar. Mas ele próprio ignorava tudo acerca disso, nem sequer sabia da existência de um mundo exterior.


Passava-se uma coisa estranha com aquela parede de luz. O pai (já reconhecia o pai como outro habitante do seu mundo, uma criatura semelhante à sua mãe, que dormia perto da luz e lhes trazia a carne), o pai costumava atravessar a parede branca e distante e desaparecer por ela. O lobinho cinzento não conseguia perceber aquilo. Embora sua mãe nunca lhe tivesse permitido aproximar-se daquela parede, já se abeirara das outras, encontrando sempre ali uma dura obstrução à ponta do seu tenro focinho. Aquilo magoava. Assim, após várias tentativas, deixou as paredes em paz. Sem se deter pensando no caso, aceitou o desaparecimento através da parede como particularidade de seu pai, tal como o leite e a carne semi-digerida constituíam peculiaridades da mãe.

De fato, o lobinho cinzento não era muito dado a pensar, pelo menos como os homens costumam fazer. O seu cérebro funcionava obscuramente. No entanto chegava a conclusões tão claras e concretas como os homens. Tinha como método aceitar as coisas sem discutir o porquê nem a finalidade delas. Na realidade, aquilo não
passava de um processo de classificação. Nunca o preocupava a razão por que uma coisa acontecia. Bastava-lhe saber como ela acontecia. Assim, depois de ter batido umas poucas de vezes com o focinho no fundo da caverna, aceitou a idéia de que não podia desaparecer através das paredes, e da mesma maneira acreditou que o pai tivesse possibilidade de fazer. Mas não o preocupava o mais leve desejo de descobrir a razão da diferença entre o pai e ele próprio. A lógica e a física não faziam parte da sua estrutura mental.


Lsdex de fora pra dentro

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